sábado, 12 de março de 2011

Baile de Máscaras

Ela usava um vestido preto de bolas brancas, de um forro tanto quanto exagerado, que deixava seu corpo fresco naquela semana quente de fevereiro. No cabelo negro e liso havia uma tiara espalhafatosa e angelicalmente combinada com a roupa, de modo que acomodava as madeixas numa arrumação assimétrica de uma beleza pueril. Ele, parecia mágica, postava-se com os mesmos tons da aquarela da menina a quem pegava pela mão. Ela se imaginou na Europa dos romances, a Colombina disputada e ele o Pierrot apaixonado. A história chegava a melhor parte, a hora da possibilidade do sonho, o final feliz do conto invejado. Nada poderia dar errado naquela terca-feira gorda de felicidade.

Ele não estranhou a maquiagem histérica, o glitter, o pó e a tinta destacavam os olhos verdes escuros que brilhavam com o sol. Ela ignorou o chapéu ridículo que ele escolhera sem nenhum estilo. Dançaram juntos sem música, se abraçaram sem pudor e se beijaram tão forte que era difícil saber quem era quem naquele momento de amor. O cabelo liso pertencia às mãos grandes que tentavam roubar pra si o corpo da amada. O pescoço másculo era seu porto seguro, no qual se apoiava sem medo, segura que não iria ao chão, apesar de ter os membros fracos de prazer. Olho com olho, nariz com nariz. “Como ela é linda” pensou ele. “Eu o quero pra sempre” suspirou ela.

E no auge daquela dança sem trilha sonora, tal como se finalizam os grandes atos e peças teatrais, chegava a hora do gesto final que compõe os grandes duetos. Na hora que o homem gira a parceira em repetidas rotações, levando seu corpo para longe como quem afasta, para num segundo depois trazê-lo ao aconchego de seus braços. E ela rodou, rodou e rodou, tal como as mulheres do filmes de amor e os casais dos finais felizes das óperas, certa que seria trazida ao peito firme do homem que a esperava. Mas não foi assim. A corda que deveria levá-la de novo se partiu e ela se quedou imóvel, vendo os lábios vermelhos e voluptuosos do amado darem um sorriso charmoso, porém, agora, indecifrável. O final de uma história sem tempo para ser vivida chegou de fato.

Ela não era Colombina, ele não era Pierrot. Era uma simples terça-feira de Carnaval.

2 comentários:

ellison.cocino disse...

Bela crônica Bia, em que pese não fazer meu gênero fiquei grudado em cada linha! E que final realista,hein? A pseudo Colombina quebrou a cara ao cair no chão da solidão novamente! 'Contudo há um porém': o conforto dela é que chegarão mais uns 100 alcoolizados Pierrots, doidos pra beijar e serem momentaneamente o príncipe encantado dela, pra depois serem levados pela troça carnavalesca hehehe, a não ser que ela seja feia né? Daí só resta chorar pelo Pierrot que notou a besteira que tava fazendo Hehehehehe

Boto de Gatas disse...

Amor e humor. ;)